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CLÍNICA PARA DOR é uma atuação da especialidade médica, fundamental para tratamento da DOR a investigar ou sub-clinicamente tratada.

Definição de Dor

 

“A dor é uma experiência sensitiva e emocional desagradável associada ou relacionada a lesão real ou potencial dos tecidos. Cada indivíduo aprende a utilizar esse termo através das suas experiências anteriores.” – IASP International Association for the Study of Pain

Dor é um sinal de alerta, e por isso, se ocorre com muita frequência é necessário procurar a causa.

Ela, a dor, é subjetiva, isto é: é a opinião pessoal de cada individuo à respeito dela, pois cada indivíduo após ter tido ‘aquele tipo de dor’, a descreve com base em suas experiências prévias.

 

“Dor é sempre subjetiva e pessoal”

É o “5º sinal vital“. Com isso, agora se é avaliado este sinal:

  • Adotando uma rotina de avaliação de ocorrência e intensidade da dor para todos os pacientes usando uma escala visual analógica (EVA);
  • Documentando a ocorrência de dor e de sua intensidade para todos os doentes;
  • Documentando as intervenções planejadas para o tratamento e controle da dor, bem como o período determinado para a reavaliação.

Características da Dor

Tempo de Dor

Dor Aguda

Duração: < 3 meses – Aquela que se manifesta transitoriamente durante um período relativamente curto, de minutos a algumas semanas, associada a lesões em tecidos ou órgãos, ocasionadas por inflamação, infecção, traumatismo ou outras causas. Normalmente desaparece quando a causa é corretamente diagnosticada e quando o tratamento recomendado pelo especialista é seguido corretamente pelo paciente.

Dor Crônica

Duração: > 3 meses – Tem duração prolongada, que pode se estender de vários meses a vários anos e que está quase sempre associada a um processo de doença crônica.

Dor Recorrente

Duração: Apresenta períodos de curta duração. Duração que, no entanto, se repetem com freqüência, podendo ocorrer durante toda a vida do indivíduo, mesmo sem estar associada a um processo específico. Um exemplo clássico deste tipo de dor é a enxaqueca.

Categoria da dor

São 3 as categorias da dor:

Dor Nociceptiva

Dor originada de lesão a tecido não neural e devida à ativação de nociceptores. Ocorre com um normal funcionamento do sistema nervoso somatosensitivo, que contrasta com a função anormal do sistema nervoso somatosensitivo que ocorre na Dor Neuropática.

Dor Neuropática

Dor causada por uma lesão ou doença do sistema nervoso sensorial. Requer uma lesão demonstrável ou uma doença que satisfaça critérios diagnósticos previamente estabelecidos.

Dor Nociplástica

Dor originada da nocicepção alterada apesar de não ter clara evidência de lesão tecidual ativando os nociceptores ou doença do sistema somatosensitivo.

Taxonomia da Dor

Quando falamos em taxonomia da dor, estamos nos referindo a termos usados pelos profissionais que lidam com pacientes com dor. Com essas definições pré-estabelecidas fica muito mais fácil a comunicação entre os vários profissionais de várias áreas da saúde em vários lugares ao redor do mundo, facilitando o diagnóstico, o tratamento e a pesquisa em um problema que cresce na realidade do nosso dia a dia à medida que o tempo vai passando.

Pensando nisso, a IASP (International Association for Study of Pain), em uma reunião em Kyoto, no Japão, em Novembro de 2007, criou uma força-tarefa em taxonomia da dor, que atualizou a nomenclatura já consagrada pelo uso utilizada pelos diversos profissionais, atualizando conceitos antigos e introduzindo novos.

Discutiremos aqui a ultima revisão da IASP, feita em Dezembro de 2017.

1) Analgesia

Ausência de dor em resposta a estímulo que normalmente seria doloroso.

2) Anestesia dolorosa

Dor em uma área ou região que está anestesiada.

3) Disestesia

Uma sensação anormal desagradável, seja espontânea ou provocada.

4) Hiperalgesia

Quando um estímulo que normalmente causa dor leva a uma sensação de dor maior do que a esperada para aquela ocasião.

5) Alodínea

Dor devido a estímulo que normalmente não causa dor.

6) Hiperestesia

Sensibilidade aumentada ao estímulo, excluindo a sensibilidade especial.

7) Hipoalgesia

Sensação de dor diminuída em resposta a um estímulo normalmente doloroso.

8) Hipoestesia

Sensibilidade diminuída ao estímulo, excluindo a sensibilidade especial.

9) Hiperpatia

Síndrome dolorosa caracterizada por reação anormal dolorosa a um estímulo, especialmente um estímulo repetitivo e também por um limiar aumentado.

10) Neuralgia

Dor na distribuição de um ou mais nervos, não devendo ser reservado apenas para dor paroxísticas.

11) Neurite

Inflamação de um ou mais nervos.

12) Neuropatia

Distúrbio de função ou alteração patológica em um nervo. Pode ser classificada em Mononeuropatia, Mononeuropatia Múltipla e Polineuropatia.

13) Mononeuropatia

Em um nervo apenas.

14) Mononeuropatia Múltipla

Lesão sequencial ou simultânea a múltiplos nervos não contíguos.

15) Polineuropatia

Difusa e bilateral.

16) Plexopatia

Lesão que acomete um plexo inteiro.

17) Dor Neuropática

Dor causada por uma lesão ou doença do sistema nervoso sensorial. Requer uma lesão demonstrável ou uma doença que satisfaça critérios diagnósticos previamente estabelecidos.

18) Nocicepção

Processo neural de codificação do estímulo nocivo.

19) Nociceptor

Receptor que é capaz de transduzir e codificar o estímulo nocivo.

20) Limiar de Dor

Intensidade mínima de um estímulo que é percebido como doloroso.

21) Estímulo Nóxico

Estimulo que é prejudicial ou ameaça um prejuízo para tecidos normais.

22) Nível de tolerância à Dor

Intensidade máxima de um estimulo que produz dor que alguém é capaz de suportar.

23) Sensibilização

Resposta aumentada de neurônios nociceptivos ao seus sinais aferentes normais ou abaixo do limite. Clinicamente esse termo pode somente ser usado por fenômenos como hiperalgesia ou alodinea.

24) Sensibilização Central

Quando o fenômeno da sensibilização ocorre no sistema nervoso central.

25) Sensibilização Periférica

Quando o fenômeno da sensibilização ocorre no sistema nervoso periférico.

26) Dor Nociceptiva

Dor originada de lesão a tecido não neural e devida à ativação de nociceptores. Ocorre com um normal funcionamento do sistema nervoso somatosensitivo, que contrasta com a função anormal do sistema nervoso somatosensitivo que ocorre na Dor Neuropática.

27) Dor Nociplástica

Dor originada da nocicepção alterada apesar de não ter clara evidência de lesão tecidual ativando os nociceptores ou doença do sistema somatosensitivo.

28) Parestesia

Uma sensação anormal não desagradável seja espontânea ou provocada.

29) Estímulo Nociceptivo

Um real ou potencial evento prejudicial transduzido e codificado por nociceptores.

30) Neurônio Nociceptivo

Neurônio central ou periférico do sistema somatosensitivo que codifica estímulo nocivo.

31) Tratamento Interdisciplinar

É aquele realizado por um time multidisciplinar colaborando na avaliação e tratamento, usando um modelo biopsicosocial e objetivos. Nesse modelo de tratamento há encontros regulares, concordância em diagnóstico e alvos terapêuticos e planejamento de tratamento.

32) Tratamento Multidisciplinar

Tratamento multimodal realizado por diferentes profissionais. Todos com seus próprios objetivos terapêuticos, tendo suas próprias metas individuais e não necessariamente se comunicando.

33) Tratamento Multimodal

É o tratamento no qual é feito o uso simultâneo de intervenções terapêuticas separadas com diferentes mecanismos de ação dentro de uma especialidade destinado a mecanismos diferentes de dor. Como, por exemplo, o uso de um AINH e órtese prescrito por um médico para controle de dor.

34) Tratamento Unimodal

Intervenção terapêutica única dirigida a um mecanismo especifico de dor. Temos como exemplo a aplicação de tratamento de exercício por um fisioterapeuta.

Conclusão

Ainda hoje é comum colegas usarem termos existentes, porém com significados diferentes dos quais realmente os caracterizam. Essa situação complica a comunicação entre os profissionais, ocasionando, no mínimo, um seguimento com qualidade menor do que poderia ter.

A taxonomia com sua uniformidade na terminologia em dor acaba com esses problemas na área médica. Esses problemas vão desde pesquisas, diagnósticos, até tratamentos. Uma linguagem padrão facilita a comunicação entre os diversos profissionais que estão envolvidos no tratamento da dor de um paciente, especialmente por se tratar de uma patologia que envolve diversos profissionais que devem integrar uma equipe interdisciplinar.

Essa padronização traz melhores resultados no cuidado da dor como um todo, mostrando que o importante não é em que lado do globo você vive, mas é sempre falarmos a mesma língua.

Fonte: PEBMED